terça-feira, 15 de maio de 2007

Prólogo -

E embalado pelo frio e a garoa lá fora, após um longo dia de trabalho, Rache descansava satisfeito na sua cama de solteiro, com colchão ortopédico, afinal de contas trabalhava como segurança, ficava o dia todo quase de pé. Foi olhando o velho relógio na parede dar voltas, conforme o ponteiro girava seus olhos pesavam mais, até que dormiu. Em meio à noite, voltara a sonhar o sonho tido nos últimos dias, números e portas.

Cada dia ele passava por uma porta, já era a oitava vez que sonhava isso, toda vez que ele passava por uma, lhe era mostrado um pecado que havia cometido. Toda noite de sono que ele tinha era custosa e não confortável.

Dessa vez, durante seu sonho quando se aproximou da porta, sentiu um leve vapor quente, e um cheiro de enxofre misturado com mel. Como se tivesse sido nocauteado ao presenciar a abertura da mesma. Seu corpo desfaleceu. E ele acordou.

Quando abriu os olhos viu defronte a ele, sentado em sua barriga, uma criança magra, vestindo o que um dia foi uma bata branca e calças puídas. Com os pés paralelos aos braços de nosso amigo, balançava seu corpo como se estivesse a ninar, parecia muito com alguns membros da breed8(¹), pés limpos, unhas cortadas, sem calos nem cortes ou cicatrizes.

Com uma risada o menino alcançou o bolso de trás, tirou um pedaço de pano rasgado branco e começou a amarrar no braço de Rache. Chegou bem perto lhe deu um beijo no queixo enquanto dava o nó depois segurou a cabeça de Rache e balançou devagar para frente e para trás.

(¹) Ver Fogo Cruzado Cap II

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